15 de abril de 2010, por Denis Ferrari em Cases, OFF-TOPIC

O Concurso

No início do semestre passado eu iniciava a disciplina de empreendedorismo na Faesa. Passei boa parte do curso de sistemas de informação esperando por essa disciplina e as reflexões que ela causaria, porém, não imaginei que ela ofereceria a grande oportunidade de participar do Uniempreendedor, o concurso que é organizado anualmente pela Tecvitória para avaliar o potencial empreendedor do estudante.

O objetivo do concurso é avaliar dentre os projetos submetidos, qual tem a maior chance de gerar bons resultados como produto ou serviço. A faculdade seleciona os melhores projetos e envia para Tecvitória que, por sua vez, realiza uma série de avaliações até que os projetos restantes sejam apresentados para uma banca avaliadora que definirá o resultado do concurso.

A Oportunidade

Em paralelo à disciplina de empreendedorismo, o Sr. Uilton Campos e Eu estávamos preparando nosso TCC. Quem já passou por essa etapa da vida sabe o esforço necessário para conclusão desse trabalho e, como nosso projeto possui uma complexidade considerável, tínhamos mais trabalho que o normal.

Quando o professor divulgou o concurso em sala de aula, não pensei duas vezes, marquei uma reunião e apresentei o projeto com todos os argumentos que eu tinha na manga. Ao final, não existiam razões para que o mesmo não concorresse.

O poder de persuasão foi exaustivamente testado pois, além de convencer o professor que projeto era viável sem possuir um protótipo, também era necessário convencer Uilton, devido ao fato de já estarmos totalmente sem tempo, graças ao TCC.

Uma das principais características do empreendedor é acreditar na sua idéia e conseguir fazer com que as pessoas que estão ao seu redor também acreditem ao ponto de quererem ajudá-lo. Na minha opinião, essa característica definiu essa etapa.

A Faesa selecionou dois projetos para o concurso: O Velloz (nosso projeto) e um Jogo on-line desenvolvido por Rafael Hrasko.

O Desenvolvimento do projeto

A proposta que foi submetida inicialmente era muito simples. Era bascimente uma visão geral do projeto.

Quando chegamos à segunda fase do concurso, fomos premiados com um curso para análise de viabilidade técnica e financeira de projetos. O curso foi ministrado por Douglas Chamon, que, atendendo às minhas preces, é formado em economia e não em marketing.

O curso foi muito produtivo. Ganhamos argumentos para provar a viabilidade dos projetos de uma forma que não conhecíamos. Foi também nessa fase que conhecemos melhor os projetos concorrentes.

Todo dia após o curso tínhamos uma missão: Melhorar o nosso plano de negócios. Era muito trabalho para pouco tempo pois, logo ao final do curso, já tínhamos que entregar o documento. Uilton e Eu passamos o final de semana na Qualidata (empresa que ele trabalha) confeccionando o documento. Eu não agüentava mais olhar para ele e vice-versa. Foi extremamente cansativo.

O documento tinha que apresentar os detalhes da execução do projeto. Só as equipes que persistiram chegaram ao final dessa fase, pois algumas pessoas perceberam durante o curso que seus projetos não eram viáveis. Foi necessária muita força de vontade para concluir essa etapa.

O pior entrave dessa fase foi separar o que era plano de negócios do que era TCC. Como estávamos desenvolvendo os dois ao mesmo tempo, em alguns momentos nossas mentes não faziam essa distinção.

A experiência de escrita foi muito rica e muito cansativa. Basicamente tínhamos sempre que dizer indiretamente as coisas, de forma responsável e com as respectivas fontes. O documento ficou muito bom (avaliação pessoal) e até hoje, o tenho como referência para elaboração de documentos semelhantes.

A Defesa do projeto


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Depois de ouvir todo tipo de rumores sobre a banca de avaliação, fiquei extremamente preocupado com os questionamentos que seriam feitos. O que aumentou minha insegurança foi que na mesma época eu havia realizado uma palestra, na qual não obtive um bom desempenho. Sendo assim, fora a pressão da avaliação, eu estava de moral baixa.

Devido à importância da defesa do projeto, passei o final de semana ensaiando cada parte da apresentação. Sempre me preparei para dar aulas, palestras ou dissertar sobre qualquer assunto em público, mas como estava de consciência pesada devido à minha última performance, não podia errar duas vezes consecutivamente. Até hoje me pergunto se o resultado do concurso seria diferente se eu não tivesse me preparado tanto para a defesa do projeto.

Quando chegamos para apresentação, outra equipe estava apresentando e por sinal sendo muito criticada (o que não quer dizer nada). Entramos, apresentamos o projeto e ao final da apresentação, ocorreu um silêncio na sala. Não sabíamos se o silêncio era bom ou ruim, mas foram alguns segundos de tensão.

A banca elogiou muito a apresentação e o projeto, mas o negócio que estávamos propondo era consultoria, e esse não era o melhor modelo de negócio para o concurso, pois não era tão escalável quanto os outros modelos de negócio. Saí de lá com a sensação de missão cumprida e com minha moral de volta, mas não esqueço a lição da preparação e ensaio, sempre.

O Resultado

Duas semanas após a apresentação o resultado foi divulgado: Ficamos em terceiro lugar. O projeto que ganhou foi o que estava sendo criticado pela banca quando chegamos para a apresentação.

Não gostei de ter ficado em terceiro lugar, mas entendi o motivo. Os outros projetos eram realmente bons e conseguiam ser escalados mais facilmente. Isso definiu o resultado do concurso.

O Prêmio

Fizemos uma viagem à São Paulo, onde finalmente pude conhecer melhor a cidade. O Sr. Vinícius, da Tecvitória fez um tour muito bacana com a gente. Visitamos alguns eventos que estavam ocorrendo e ainda conhecemos a Endeavor, que particularmente, foi a parte da viagem que eu mais gostei.


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Como ninguém é de ferro, aproveitamos para conhecer os principais bairros e bares da cidade. Por obra do destino, em pleno Saint Patrick’s Day eu estava em São Paulo e, como devoto fiel, fui celebrar no Asterix (sozinho, pois o pessoal não aguentou e foi dormir cedo).

A experiência do concurso foi muito rica, mas estar em São Paulo como turista tendo a oportunidade de trocar idéias com um empreendedor como o Vinícius da Tecvitória realmente foi muito benéfico.

Conclusão

O Uniempreendedor foi uma experiência única. Daquelas em que a viajem vale mais do que o destino final.

Apesar das noites perdidas, do trabalho e de todo o stress que passamos, eu participaria novamente.

Fica a dica para os empreendedores de plantão. Essa experiência e o conhecimento obtido vão me acompanhar por toda a vida.


Comentários:
7 Comentários postados em "[OFF-TOPIC] Uniempreendedor 2009"
Uilton Campos on abril 15th, 2010 at 11:47 #

Realmente o uniempreendedor foi uma ótima oportunidade e uma experiência que somou muito para meu crescimento, trabalhamos muito Denis, mas, valeu a pena. Naquela época não estava mesmo aguentando olhar mais para você, de tanto que estávamos juntos desenvolvendo os documentos necessários, :) .


Alex Rodrigues on abril 17th, 2010 at 12:58 #

Denis,

Parabéns pelo comprometimento, esforço e persistência.

Alex Rodrigues.


Rober Marcone Rosi on abril 18th, 2010 at 15:19 #

Prezado Denis,

Parabéns pelo texto! Tenho certeza de que o objetivo foi alcançado (independente da classificação) e você demonstrou muito bem esta conquista em seu texto. Particularmente, fico muito feliz quando os objetivos do programa Uniempreendedor são tão bem assimilados e demonstram ter causado um ótimo impacto na trajetória de um dos participantes do projeto. Em especial, quando este participante é um de nossos alunos.

Já conhecendo das diversas funções que você desempenha e da sua iniciativa na Faesa em realizar um conjunto de palestras e, atualmente, de organizar um evento na área de desenvolvimento ágil, posso afirmar com certeza de que o espírito empreendedor já faz parte de sua vida e o Unieempreendedor somente reforçou esta semente.

Cordialmente,

Rober Marcone Rosi.


Lourival on abril 18th, 2010 at 15:20 #

Caro Denis, siga firme e forte: uma bela trajetória o aguarda.

Um abraço.

Prof. Lourival.


Eliana Caus Sampaio on abril 18th, 2010 at 21:31 #

Olá Denis

Já disse pessoalmente a alegria e satisfação de ter alunos orientados profissionalmente como vocês. Sei que para se chegar a esse ponto, muito esforço e dedicação foram empregados. Isso nos alegra enquanto professores, mas especialmente como cidadãos por ver pessoas desse teor compondo o mercado de TI.

Parabéns pela caminhada, não importa os resultados. Importa a busca, a luta e a vontade de aprender e produzir algo digno.

Grande Abraço


Denis Ferrari on abril 20th, 2010 at 3:03 #

O reconhecimento é muito gratificante! Meu depoimento virou capa da TecVitória!
http://www.tecvitoria.com.br/site/?acao=104&id=120


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